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COM SUPERPRODUÇÕES, QUADRILHAS DE APRESENTAM NO ARRAIÁ DO CEARÁ

Quadrilhas que se apresentam no Arraiá do Ceará investem em temas com superproduções (Foto: Arte/G1)
Um festival de quadrilhas juninas reúne muito mais do que pares coreografando tradicionais de dança. Com preparação desde janeiro, os grupos também se esforçam na elaboração de temas e enredos que são tratados com seriedade em todos os quesitos. As apresentações podem contar a história de personalidades, costumes, sentimentos, fenômenos climáticos, momentos históricos e até fatos políticos. 


Todas essas temáticas fazem parte da programação do "Arraiá do Ceará", festival que acontece de sexta-feira (19) até domingo (21) no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.



Para conseguir o prêmio de ser selecionado para o campeonato "São João do Nordeste", promovido pela Globo Nordeste, em Pernambuco, as quadrilhas não poupam inovações em quadra. Elas trazem alegorias gigantes, efeitos especiais na troca de figurinos, vilarejos cenográficos, aromatização do ambiente e muita sincronia com luzes e figurinos desenhados especialmente para a ocasião.


Arraiá da Liberdade homenageia personalidades nordestinas e a dançarina Cristiane Rodrigues 

Arraiá da Liberdade (Redenção) - Com o tema "Saudade, meu remédio é cantar”, a apresentação faz um tributo a Luiz Gonzaga, Patativa do Ceará, e Dominguinhos. As quadrilhas que deixaram saudade e que não atuam mais também serão lembradas, além de uma homenagem a Cristiane Rodrigues, eleita melhor rainha do Brasil, que dançará no Arraiá da Liberdade esse ano. Será levada ainda uma escadaria em forma de piano, relembrando as músicas antigas do São João, além de alegoria gigante do beija-flor, pássaro da saudade. O figurino é ilustrado por notas musicais. A quadrilha se apresenta no domingo, às 19h45.



Arraiá da Roça (Tejuçuoca) - A "Lua que ilumina e nos encanta com seus mistérios" é o tema da quadrilha. Cinco lendas em torno da lua serão trazidas à apresentação, dentre elas, a mãe da Lua, em coreografia com o pássaro; São Jorge, que mata o dragão a cavalo. Terá também o violeiro, que através da lua encontra inspiração pra compor canções. Uma índia, e a lenda da vitória régia deve ser trazida entre as alegorias. E por fim, o lobisomem, representado na hora do desfile da rainha. As alegorias aparecem durante todo o enredo. O repertório possui 80% de canções autorais e 20% de tradicionais. A quadrilha se apresenta na sexta-feira, às 19h.

Quadrilha Arriba Saia retrata os diversos viajantes do Brasil (Foto: Ícaro Bastos/ Divulgação)

Arriba Saia (Várzea Alegre) - Com o tema "Minha Vida é Andar Por Esse País", a quadrilha vai falar da trajetória dos mais diversos tipos de viajantes brasileiros. Na abertura, os brincantes retratam artistas de circo, retirantes da seca, ciganos e os próprios quadrilheiros que viram "nômades" com a rotina cheia de apresentações durante o período junino. A cenografia do grupo será digital, com um telão ao fundo passando imagens sincronizadas com a apresentação. O repertório é composto pela maioria de músicas autorais e também por canções clássicas, como a que deu título ao tema escolhido. A quadrilha se apresenta na sexta, às 22h.



Asa Branca (Campos Sales) - Com o tema "Histórias que o Povo Conta", a quadrilha entra no mundo dos contos, lendas e mitos do folclore regional. Sem revelar muitos detalhes, os coordenadores do grupo contam que a apresentação será baseada nos causos nordestinos e um vilarejo cenográfico será montado para ajudar a retratar o tema. O figurino foge das quadrilhas estilizadas e traz roupas tradicionais. O repertório segue o mesmo estilo, mas também conta com canções compostas pelos próprios brincantes. A quadrilha se apresenta no domingo, às 22h.
Quadrilha Asa Branca trata dos mundo dos contos,
lendas e mitos do folclore regional



Caninha Verde (Maracanaú) - O grupo da Região Metropolitana de Fortaleza traz como tema "Imagina o Brasil ser Dividido e o Nordeste ficar independente", inspirado na canção homônima de Elba Ramalho. Na apresentação, a quadrilha realiza um casamento com enredo ambientado na época da ditadura militar, quando a canção escolhida como tema foi censurada. A coreografia conta com 30 passos tradicionais e danças bem típicas do Nordeste, como o coco. O figurino tem roupas em tecidos de chita, renda e bordado. A cenografia conta com uma faixa de seis metros com o mapa do Brasil e imagens de personalidades regionais. A quadrilha se apresenta na sexta, às 00h15.

Cheiro de Terra (Horizonte) - Com o tema "Grupo Junino cheiro de terra - a essência e o sabor que conquistaram o Brasil: Café", A apresentação traz a cenografia de um cafezal, com réplicas de cafeeiros, sacos dos grãos, peneiras, entre outros detalhes. Em determinado momento da coreografia, máquinas de fumaça vão exalar o cheiro de café para o público. O figurino foi inspirado em roupas da época do Brasil Imperial e as mulheres trazem um detalhe com tranças laterais que se transformam num ramalhete de café. O repertório conta com músicas autorais e outras do cancioneiro popular, como Luiz Gonzaga e Almir Sater. A quadrilha se apresenta na sexta, às 23h30.


Quadrilha Cheiro de Terra vai retratar a tradição do café no Brasil. 


Cumpade Justino (Maracanaú) - Com o tema "Brasília, o eldorado dos fandagos", a quadrilha vai contar a história dos nordestinos que ajudaram na construção da capital federal. A apresentação traz paineis gigantes e uma réplica da Catedral Metropolitana de Brasília. Em momentos da coreografia, os brincantes homenageiam Nossa Senhora Aparecida, padroeira de Brasília. No repertório, o grupo traz músicas que tratam da época em que os nordestinos migraram para o DF. A quadrilha se apresenta no sábado, às 00h15.


Estação Junina (Comunidade Poço da Draga/ Fortaleza) - "Da nascente à transposição, Rio São Francisco, a esperança do sertão" é o tema da quadrilha, que conta como surgiu o rio, através das lendas, como a que as águas surgiram pelo choro de uma índia. A cultura dos cinco estados banhados pelo rio vai ser apresentada em quadras a partir de alegorias da lenda da mãe d'água, barcos, carrancas, e por fim, a representação do que seria a transposição. Todo o repertório é autoral dentro do tema, com apenas um pout-pourri de músicas tradicionais. A quadrilha se apresenta no domingo, às 20h30.

Estrela do Luar (Sobral) - "Festa no arraiá, corre pro terreiro que a bandinha vai tocar", fala sobre as bandas de pífanos. A quadrilha conta com uma cidade cenográfica, representando os festejos de interior, onde as bandinhas de pífanos tocavam. Um músico vai tocar pífanos durante a coreografia. Entre as alegorias, haverá quatro pessoas representando a banda Cabaçal, caracterizadas com os instrumentos. O repertório é voltado para as bandas de pífano, como Cabaçal. A quadrilha se apresenta no domingo, às 19h.

Filhos do Sertão (Tancredo Neves/Fortaleza) - Fundada há 19 anos, a quadrilha junina se destaca pelas apresentações estilizadas e traz como tema esse ano "Os Quatro Elementos: a busca do equilíbrio no São João do Ceará". Em quadra, os brincantes dançam com uma superprodução que envolve iluminação, efeitos especiais, troca de figurinos e simulação de fenômenos astronômicos. Em determinado momento, o casal de noivos sobe a uma altura de sete metros representando o Sol e a Lua, que se juntam e formam um eclipse, quando o público assiste a um espetáculo visual de fogos, serpentinas e leds. O momento serve como gancho para apresentação da rainha, troca de roupa em quadra e simboliza o quinto elemento e o "equilíbrio" dos demais no São João. A quadrilha se apresenta no sábado, às 22h45.


Alegoria leva noivos a uma altura de sete metros na quadrilha Fihos do Sertão

Flor de Macaboqueira (Granja) - "Na mala trago saudades, e o destino de voltar” traz a temática dos retirantes. Com uma mala, os integrantes fazem uma apresentação mostrando trouxas e latas, na abertura. No período do casamento, os dançarinos trocam de roupa para a dança. A cenografia contará com uma mala gigante de onde saem os integrantes. As músicas trazem a temática sertaneja. A quadrilha se apresenta na sexta, às 19h45.



Flor de Mandacaru (Cariré) - A quadrilha traz no tema "Cego Aderaldo: rimas, versos e cantorias aos olhos do sertão" uma homenagem ao poeta e personagem da cultura nordestina. A apresentação conta a história dele com detalhes minuciosos, baseado em sonhos e todas as fases profissionais de sua vida. Como alegoria, o grupo traz uma réplica do monumento em homenagem ao Cego Aderaldo que existe em Quixadá, no Sertão Central, e uma tela de cinema, de onde sai a rainha da quadrilha fazendo menção à época em que Aderaldo narrava filmes mudos. No encerramento, o grupo traz uma imagem de quatro metros de altura de São Francisco de Assis, santo do qual Aderaldo era devoto. A quadrilha se apresenta no domingo, às 00h15.


Tributo ao 'Cego Aderaldo' é tema da Quadrilha Flor de Mandacaru 
Festa na Roça (Itapipoca): Com o tema "O registro, uma lembrança tem sentimento como esperança: Festa na Roça retratando São João", a quadrilha pretende retratar as festas juninas com todos os cenários típicos do período. As coreografias terão molduras com paisagens que lembram o São João, como o pau-de-fitas e o pau da bandeira de Santo Antonio. Com figurino estilizado, o grupo traz um repertório com a maioria das músicas sendo autoral. A quadrilha se apresenta na sexta, às 20h30.


Fogo Jovem (Itapipoca): A quadrilha se apresenta pelo 13º ano seguido e traz como tema "O 15 volta a memória: o centenário de lágrimas que molhou nossa história". A apresentação vai contar a história da seca de 1915, uma das mais simbólicas ocorridas no Ceará. Na cenografia, o grupo espera surpreender com um cenário bem realista, com ambiente de seca e até carcaças de animais mortos. O figurino traz detalhes com cactos e textura de chão rachado. No repertório, muitas canções com menções ao sofrimento da seca. A quadrilha se apresenta no sábado, às 20h30.


Quadrilha Fogo Jovem

Guaradrilha (Guaraciaba do Norte) - Com o tema "O que é o que é, adivinhe se puder: está na fé da plantação ao sonho do São João?", a quadrilha reserva surpresas para o fim da apresentação, quando será revelada a resposta da charada escolhida como tema. Ao longo da coreografia, o grupo passeia pelas simpatias típicas de São João, como ver o rosto da pessoa amada em uma bacia, enfiar a faca no tronco da bananeira e traz alegoria gigante de um mandacaru, simbolizando a simpatia que pede chuva. Com figurino estilizado, a quadrilha traz um repertório com músicas tradicionais e que dialogam com as adivinhações populares. A quadrilha se apresenta no sábado, às 21h15.

Jesus Sertanejo (Jardim Iracema/Fortaleza): Comemorando uma década de existência, a quadrilha traz o tema "Hoje Eu Vim Aqui Falar de Amor", destacado o compromisso de evangelizar através de arte. A apresentação faz uma homenagem ao amor de Deus e terá uma cruz de cinco metros de altura simbolizando a crucificação de Jesus Cristo. O figurino estilizado é composto por roupas decoradas com corações e outras customizações que dialogam com o tema. As músicas trazem um repertório autoral e com canções religiosas e tradicionais do período junino. A quadrilha se apresenta no domingo, às 22h45.


Quadrilha Junina Babaçu

Junina Babaçu (Parangaba/Fortaleza) - Com o tema "A Grande Ópera Junina", o grupo vai retratar a obra "Noite de São João", escrita por José de Alencar e executada por Elias Álvares de Lobo. A apresentação promete mesclar o erudito e o regional com uma superprodução de figurinos atos inspirados na ópera. Os destaques são para a atuação da rainha, que representa a cigana que conta a sorte do casal de primos, os noivos, caso. Ela vai ficar em cima de uma rampa gigante representando o momento do florescer, quando todos os 60 pares aparecem com um novo figurino no meio da apresentação. O repertório traz letras com trechos da obra e de músicas regionais que se encaixam na perspectiva da obra. A quadrilha se apresenta no domingo, às 23h30.

Luar do Sertão (Sobral) - "Curral grande: das tragédias das secas à seca de homens", traz a história dos campos de concentração criados na época de seca do 15 e de 32, no Ceará, baseado na peça de Marcos Barbosa. O campo do Pirambu, mais conhecido como campo do Urubu, será representado em cenário cenográfico. O figurino engloba o céu (do amanhecer ao anoitecer), o sol, a terra e a mata seca. Na abertura, terá um campo de concentração cenográfico, a chegada de trem (maria-fumaça). Músicas tradicionais do São João embalam a apresentação. A quadrilha se apresenta no domingo, às 19h.

Quadrilha do Gil (Juazeiro do Norte) - Com 35 anos ininterruptos de quadrilha, classificada entre as 10 melhores do estado, a Quadrilha do Gil traz o tema "Um São João inusitado na cidade fantasma de Cococi". A escolha do tema, segundo Gilberto Soares, presidente da quadrilha, foi pela vontade de mostrar a história da cidade abandonada pelo seu povo, que se tornou distrito de Parambu. O figurino e as encenações da apresentação prometem um ar de mistério e suspense. A quadrilha se apresenta no sábado, às 19h45. 

Roça de Milho (Crateús) - Com o tema "O Sertão vai Festejar: Salve as Tradições da Cultura Popular", a quadrilha quer trazer uma mensagem de resgate e manutenção da cultura popular nas festas juninas. Os destaques são as danças de diversos estados da região (reisado, maracatu, dança do guerreiro) executadas em coreografias no decorrer da apresentação. As músicas também reforçam o enfoque regional, com letras de autores cearenses como Alcimar Monteiro e Calé alencar. O grupo também reservas surpresas com uma homenagem religiosa no fim da apresentação. A quadrilha se apresenta na sexta, às 21h15.



São João do Ipu (Ipu) - Com "É no mugir da boiada, chapéu de couro e gibão, a São João de Ipu conta a história dos heróis do sertão". Inspirada na saga dos vaqueiros do Ceará, a quadrilha traz a relação do vaqueiro com o seu trabalho e o seu maior símbolo, o boi. Durante a encenação, fazenda e animais compõem o cenário. O cotidiano sofrido do Sertão é levado com figurinos em fitas e couro. Duas músicas autorais embalam a dança, com o conhecido "meu vaqueiro meu peão" e outras tradicionais do São João. A rainha da São João de Ipu, Clarissa Pilega, foi a campeã do destaque União Junina, este ano. A quadrilha se apresenta no domingo, às 21h15.


Sol do Meu Sertão (Quixeramobim) - Com o tema "São Quatro Estações e um São João", a quadrilha do Sertão Central vai retratar o mundo imaginário do quadrilheiro, pelo enredo do grupo, deseja festejar São João o ano inteiro. Com base nisso, a apresentação traz quatro rainhas representando cada estação em figurinos temáticos e um relógio gigante com quatro cúpulas, de onde saem a maioria dos brincantes. O marcador da quadrilha vai representar o "guardião do tempo" e vai guiar os passos com um cajado. No repertório, apenas três músicas tradicionais e as demais referentes ao tema escolhido. A quadrilha se apresenta na sexta-feira, às 22h45.


Tradição da Roça (Parque São Vicente/Fortaleza) - Com o tema "15 anos de tradição", a quadrilha traz neste ano para homenagear a história do próprio grupo. Os dançantes vão trazer um livro gigante com fotos de apresentações desde o ano 2001, quando a quadrilha foi fundada. No meio da apresentação, os noivos sairão das páginas e a rainha do meio do livro, como se estivessem em um álbum de fotografias. O repertório conta com músicas autorais e versões de Luiz Gonzaga e Zé Ramalho. O figurino traz indumentárias coloridas e de luxo, como se os brincantes tivessem se arrumado para um verdadeiro baile de debutante. A quadrilha se apresenta no sábado, às 22h.

Zé Moringa (Jardim Guanabara/Fortaleza) - O grupo traz o tema "Forró: cantando e encantando no São João do ceará" e promete trazer menções aos principais artistas do forró clássico. A apresentação vai contar com notas musicais gigantes e um momento dedicado especialmente para a canção "Asa Branca", de Humberto Teixeira que ficou eternizada na voz de Luiz Gonzaga. A indumentária tem peças coloridas e as mulheres vão representar a Asa Branca e os homens terão um figurino com desenho de sanfona. A quadrilha se apresenta no sábado, às 23h30.

http://g1.globo.com/ceara/sao-joao/2015/noticia/2015/06/com-superproducoes-quadrilhas-se-apresentam-no-arraia-do-ceara.html